Eleagah

Mãos vazias

Quando veio, mostrou as mãos vazias
As mãos como os meus dias
Tão leves e banais...
E pediu-me que lhe levasse o medo
Eu disse-lhe um segredo
Não partas nunca mais .
E dançou
Rodou no chão molhado
Num beijo apertado
De barco contra o cais ...
E uma asa voa
A cada beijo teu
Esta noite
Sou dono do céu
E eu não sei quem te perdeu ...
Abraçou-me
Como se abraça o tempo
A vida num momento
Em gestos nunca iguais...

E parou
Cantou contra o meu peito
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais
E partiu
Sem me dizer o nome
Levando-me o perfume
De tantas noites mais...

Pedro Abrunhosa

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