Eleagah

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

(Livro de Soror Saudade, 1923)

Florbela Espanca

A minha lucidez

Sou uma onda a caminho
Da tua praia de algodão-doce
E vasculho na tua areia-sol
A minha lucidez.

Sou uma curva na rua onde moras.
Passas, e quando passas, trazes
À tona as canções últimas
Do concerto da minha vida passada.

Sou o cometa no teu céu noturno
Pedes desejos à minha passagem
E indiferente da candura desssa hora
Sorrio à lua e envio-te uma viagem.

Sou a viragem a Sul que
Ousaste proclamar.
Sou o refrão que não decoraste
Ainda que o saibas em porquês
E que o saibas e não saibas em quês
E que o lembres e esqueças
E que o esqueças e escrevas.

Sou o refrão escrito, ora
Navego em pautas, navego em pautas
Solfejos da crua e una verdade
Que nos impera no âmago.
Sou a vida - eis-me.

Maria Fernnades

Brilhando juntos

Olho para Céu
Contemplo as estrelas
Comparo meu amor à mais brilhante delas
E assim meu amor você fez meus olhos sorrirem...
Brilhar como as estrelas...
Agradeço a Deus por esse sentimento tão puro.
Que no meu peito hoje carrego
Você é o sonho que tanto desejo viver
É amor que vai além do infinito
Ultrapassa o tempo...
A distância que há entre nós,
não pode matar um amor verdadeiro
Amores verdadeiros não morrem...
Amor como o nosso apenas se fortalecem...
E como estrelas brilhamos...
E nos guiamos para esse amor louco...
Um amor distante e sempre constante...
O tempo e o espaço são meros obstáculos...
Obstáculos vencidos pela essência de
um amor que corrompe a linha do tempo...
Tornando nosso amor puramente verdadeiro...
Cheio de esperança e uma lembrança...
De um dia estarmos juntos novamente...
Vivenciando um sentimento que
apenas nossos corações entendem...
Vivenciando um amor só nosso.
Sempre eu e você brilhando juntos
como uma lua cheia de amor!
Autores: Simone Lelis & Marcelo Rondoni

Desvanecer

A poesia nasce dos corações sentimentais,
de almas sensíveis, viajantes do tempo,
perdidos no vento que sopra sobre os montes...

Levantam ondas, arrastam dunas e rolam na areia,
sempre estão com sede
e saciam em um beijo de amor
que se torna em belos versos,
jardins ricos ou em uma simples flor...

Esses corações não se limitam a existência da realidade,
são tensos e muitas das vezes se tornam selvagens,
nunca perdem as suas essências
e são sopros quentes que desvanecem...
Lucy Coelho

Meu coração em festa

Meu coração em festa

Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma.

És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.
Pablo Neruda

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